A Realidade do Atendimento Médico e os Pacientes Difíceis

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Estudo mostra que pacientes com comportamento considerado difícil têm até 42% de chances à menos de serem curados.Um dos grandes desafios na saúde hoje no Brasil é manter a qualidade do atendimento e os resultados em meio ao caos em que vivemos. A situação precária na maioria dos hospitais brasileiros é apenas um dos fatores à ser contabilizado e o preço no final quem paga é sempre o paciente.

Quando analisamos os fatores envolvidos no desfecho de um atendimento ao paciente no setor de Pronto Socorro e Pronto Atendimento, percebemos a quantidade imensa de variáveis envolvidas no resultado e na qualidade do serviço prestado. Para se ter uma ideia, um paciente atendido, faça um Raio X, colha exames de sangue e seja medicado, passa pelas mãos de no mínimo 8 profissionais: porteiro, recepcionista, enfermagem de triagem, médico, técnico da 23 de agosto de 2016 coleta de sangue, bioquímico para análise do sangue, técnico de Raio X e técnico de enfermagem que irá medica-lo.

Em se tratando de um número grande de variáveis e de seres humanos envolvidos começamos então a entender a quantidade de coisas que podem alterar os resultados finais. Se um aparelho estiver descalibrado, se o sangue sofrer hemólise durante a coleta ou se a incidênciado Raio X não ficar boa para citar alguns exemplos, o médico não terá todos os dados necessários para fechar o diagnóstico, que normalmente em um setor de urgência já é limitado considerando que tudo saia perfeito.

Aqui entra então mais um fator que foi descrito em dois estudos realizados pelo renomado Erasmus Medical Center em Rotterdam e publicado em março deste ano: a capacidade de acertar o diagnóstico pelos médicos diminui ao se tratar pacientes considerados “Difíceis”. Neste estudo foram analisados pacientes agressivos, poliqueixosos, pacientes que questionam a capacidade do médico, pacientes que ignoram as ordens médicas, pacientes desanimados com sua condição e pacientes que acreditam que seu caso não tem cura.

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Os resultados mostraram que nestes tipos de pacientes os médicos têm incríveis 42% à mais de chances de não acertar o diagnóstico e consequentemente dos pacientes receberem um tratamento incorreto que não vai ajuda-lo a se recuperar. O estudo sugere que o comportamento dusruptivo do paciente captura a atenção dos profissionais de saúde em detrimento à atenção necessária para a análise do caso.

A mensagem mostrada nestes estudos é clara e nos mostra como a atitude pessoal influência não apenas as pessoas ao nosso redor como também nosso próprio destino: pacientes que seguem as orientações médicas, acreditam no tratamento e tem atitudes de modo geral positivas têm uma chance muito maior de se curar.